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Conceitos-chave

Mídia-educação. O que é?

              Mídia-educação, leitura crítica dos meios, educomunicação, educação para a mídia e media literacy são alguns dos termos usados para caracterizar uma área interdisciplinar do conhecimento que se preocupa em desenvolver formas de ensinar e aprender aspectos relevantes da inserção dos meios de comunicação na sociedade. Assim, a “literacia em mídia” é o resultado esperado dessas ações pedagógicas, que envolvem, necessariamente, a compreensão crítica e a participação ativa.

              Mas, atenção: ao inserir os meios de comunicação na escola, é possível fazer uma distinção entre duas correntes: a educação às mídias, que pressupõe a leitura crítica dos meios de comunicação, e a educação pelas mídias, baseada no uso de suporte midiático, seja na educação a distância ou presencial. O pressuposto deste trabalho é que as duas devem ser integradas. Afinal, não é mais possível ensinar com o rádio, a televisão, o jornal ou a internet sem ensinar ao mesmo tempo a competência midiática e a análise das mídias tão presentes na vida cotidiana da escola (PICHETTE, 1996).

Por que inserir a mídia na educação escolar?
             
              No contexto contemporâneo, razões para justificar tal inclusão são relativamente fáceis de serem identificadas, principalmente pelo seu caráter de obviedade. Não se discute a centralidade dos meios de comunicação na vida pública. Além de serem grandes indústrias que geram lucro e empregos diretos e indiretos, os meios de comunicação formam o mais expressivo sistema de informação, representação, identidade e expressão, principalmente se considerarmos os avanços recentes da internet. Nesse sentido, conforme Buckingham (2003, p.5), “tornar-se uma participante ativo na vida pública necessariamente envolve o uso das mídias modernas”. Entretanto, dada a complexidade do fenômeno, permanece a pergunta: como tratar a mídia pedagogicamente na escola? 

Um breve histórico

              A presença das mídias na educação brasileira não é novidade e já contamos com uma experiência razoável. O começo dessa discussão, inclusive, remonta à década de 30, quando o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (2006) afirmava que “a escola deve utilizar, em seu proveito, com a maior amplitude possível, todos os recursos formidáveis, como a imprensa, o disco, o cinema e o rádio”.
            Buckingham (2003) fornece um panorama histórico (principalmente europeu), dividido em quatro etapas:

              Anos 30, quando tratar a mídia na educação era encontrar formas de inocular as pessoas contra os efeitos nocivos dessa esfera da cultura;

              Anos 60
, com a popularização dos chamados estudos culturais, que propunham como tarefa da escola criar as condições para o aluno refletir sobre o modo como as pessoas convivem com as mídias (período que ficou conhecido como o da abordagem da “desmistificação”);

              Anos 80,
quando o estudo das mídias passou a ser incluído formalmente na educação escolar, seja em disciplina específica (media studies), seja na inclusão de atividades dessa natureza em outras áreas do currículo;

              Época atual,
que trabalha a partir da perspectiva dos estudos culturais, adaptados às inovações tecnológicas. Agora, educadores não se preocupam mais em inocular seus alunos, mas sim em prepará-los para usar, de modo consciente e proveitoso, os benefícios que as novas plataformas podem oferecer.

Conceitos-chave da mídia educação

              São eles: linguagem, estruturas narrativas, instituições de mídia, audiências e representação.

CONCEITO

OBJETIVO

 

Linguagens

Compreender que é a linguagem que produz significado, e não uma suposta expressão por si só e, consequentemente, até mesmo a notícia não é transparente em relação à realidade, mas sim uma recriação de um fato, medidada por forças de caráter técnico, político e simbólico.

Estruturas
Narrativas

Verificar em que medida a narrativa está ligada ao conceito de “endereçamento”, isto é, ao modo como o teor de uma história – real ou fictícia - evolui, em função dos objetivos do autor e das expectativas do público.

Instituições
de mídia

Compreender que as notícias produzidas pelos jornais todos os dias são feitas conforme as normas de um processo institucionalizado aparentemente objetivo mas que, no fundo, sustenta pressupostos ideológicos

Audiências

Investigar o papel da audiência na formatação de uma mensagem e refletir sobre o poder de persuasão do texto, o poder do receptor e o modo como audiências diferentes se apropriam do mesmo conteúdo de modo diferente

Representação

Avaliar em que medida a formação de uma identidade pessoal se relaciona com as representações mais comuns nos meios de comunicação  e em que medida podemos afirmar que determinadas representações são as verdadeiras ou apenas são tidas como verdadeiras, porque são predominantes na mídia


Referências:
BUCKINGHAM, David. Media education – literacy, learning and contemporary culture. Cambridge: Polity Press, 2003.

LUSTED, David (org.). The Media Studies Book – A Guide for Teachers. Londres: Routledge, 1991.

PICHETTE, Michel (Org.). Vivre avec les médias: ça s’apprend ! Québec/Montreal : Centrale de l’enseignement du Québec ; Service aux collectivités de l’Université du Québec à Montreal, 1996.

 

 

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