6 indígenas estão entre os 1.029 profissionais formados pela USC em 2017

Naturais das aldeias Ekeruá, Nimuendaju e Tereguá, localizadas em Avaí (SP), conquistaram a graduação pelo Projeto de Extensão Identidade Araribá, que concede bolsas intregrais




Zélia Luiz, Rosimeire Simão dos Santos, Kessy Cristina Marcolino, Vanderson Lourenço e Natalia Lipú da Silva

A Universidade do Sagrado Coração (USC) encerrou no último dia 31 a sua tradicional temporada de formaturas. Ao todo, 1.029 profissionais colaram grau e são os novos candidatos a terem oportunidades no mercado de trabalho. Somados a eles, estão seis indígenas das aldeias Ekeruá, Nimuendaju e Tereguá, localizadas em Avaí (SP), que, pelo Projeto de extensão Identidade Araribá, mantido pela Universidade, tiveram bolsa de estudos integral e acesso à educação superior.  Ao todo o projeto já formou 20 pessoas.

O Cacique Claudino Marcolino, que participou da formatura de sua filha, se diz muito orgulhoso por todos os índios da Aldeia. “Isso é muito importante para a comunidade indígena, pois traz mais conhecimento e informação a todos da Aldeia. Me sinto orgulhoso pela minha filha e todos os outros índios que tiveram essa oportunidade e conquista”, enfatizou. 

O projeto de extensão Identidade Araribá, promovido pela USC, que concede bolsas de estudos à indígenas, tem outras atividades além do ingresso na graduação e recentemente atendeu 97 pessoas em 2015, 160 em 2016 e 180 em 2017. Dentre as atividades, está o empenho na permanência dos alunos indígenas nos cursos, suprindo suas dificuldades e desenvolvendo estratégias para superar suas demandas particulares.

Segundo o coordenador do projeto, Prof. M.e Cleiton José Senem, a superação de cada indígena é diária, demonstrando perseverança e coragem para sair da sua tribo e frequentar as carteiras universitárias. “A aprendizagem e o processo de enculturação recebido na Universidade contribui para a continuidade das suas culturas e, ao mesmo tempo, para a promoção da melhoria da qualidade de vida das suas comunidades,” afirma o professor. 

Sobre os formandos 

Vanderson Lourenço concluiu o curso de História e diz ter realizado um sonho antigo. “Quando eu era criança, minha avó me contava muitas lendas e eu achava muito legal poder saber da história do passado do nosso povo. Depois de mais velho, tive contato no magistério com um professor de História e achava incrível a forma como ele transmitia tudo o que sabia do passado e contava sobre o presente também. Através desse contato tive a certeza do que eu queria fazer da minha vida”. Vanderson conta que a acessibilidade e a atenção dos professores na USC foi peça fundamental para que seus sonhos se tornassem realidade e para que ele pudesse receber o título de licenciado em História. Ele ressalta que seu papel principal é fazer uma ponte entre a Comunidade e a Universidade e destaca que os estudos para o indígena são tão importantes quanto aprender a montar um arco e flecha. “Meu sonho é poder aplicar os aprendizados que tive no curso de História e viajar o Brasil, levando às outras comunidades indígenas todo esse aprendizado”, completa. 

Rosimeire Simão dos Santos concluiu o curso de Pedagogia e conta que, mesmo além de todos os obstáculos, hoje se sente realizada em poder ser professora e levar para as crianças da comunidade mais conhecimento, compartilhando tudo o que aprendeu com os professores do curso, podendo ser tão boa às crianças quanto os professores da Universidade foram a ela. “Essa etapa da minha vida é um mérito. Me sinto muito orgulhosa por ser hoje quem sou e sei que minha comunidade também sente o mesmo”, diz. 

Kessy Cristina Marcolino concluiu o curso de Gastronomia e conta que recebeu todo incentivo dos pais para ir em busca de seu sonho. Ela é filha do Cacique Claudino Marcolino, da Aldeia Nimuendaju, e confessa que no início pensou em desistir porque não tinha certeza sobre a profissão que queria e tinha medo de todos os desafios que estavam por vir. Segunda ela, a mãe foi a grande incentivadora a continuar caminhando em busca do seu sonho e chegou a acompanhá-la em algumas aulas para que pudesse se sentir mais segura. “Valeu a pena cada aula, cada prova e cada desafio superado, para finalmente chegar onde estou.” Kessy conta que tem certeza que fez a escolha certa e tem prazer em falar de sua conquista. “Agora não penso mais em parar de estudar e já me vejo até mesmo cursando uma Pós-graduação na área”. Além das receitas já trocadas com a própria cozinheira da aldeia, quando aplica as técnicas que desenvolveu na Universidade, também pôde conscientizar sua comunidade sobre o uso correto de alimentos e sua combinação em pratos. Mas seus planos, além de ajudar a comunidade onde vive, é poder conquistar o mundo. 

Natalia Lipú da Silva, hoje Design de Moda, pretende auxiliar em sua comunidade indígena na produção e ensino dos artesanatos indígenas. "Desde a infância, aprendi com meus pais a fazer os artesanatos indígenas. Agora, com as habilidades e conhecimentos adquiridos com o curso, terei uma facilidade maior de criar e ensinar outros membros da comunidade a levar adiante um costume indígena tão belíssimo, que atualmente é um gerador de admiração nos não indígenas e uma base de renda para nossas famílias", comenta.

Zélia Luiz, concluiu o curso de Letras - Língua Portuguesa e essa já é sua segunda graduação na área da educação, já que em 2008 se formou em Pedagogia pela Universidade São Paulo (USP). Segundo ela, o seu desejo é ver as crianças de sua comunidade dar continuidade aos estudos, assim como ela fez. “Eu nunca pensei em trabalhar fora, mais sim em transmitir tudo o que sei dentro da Escola da aldeia, pois me sinto um exemplo a todas as crianças e jovens da comunidade”, relata.

Graziele de Lima dos Santos concluiu o curso de Biomedicina. Segundo a coordenadora, Prof.ª M.ª Daniela Barbosa Nicolielo, ainda hoje as condições em que vivem partes das comunidades indígenas no Brasil apresentam fragilidades que comprometem de maneira significativa a qualidade de vida de indivíduos nas diferentes idades. “Ao proporcionar  o acesso no ensino superior, a Universidade favorece  importante ação inclusiva e a perspectiva de melhora na qualidade de saúde e vida da comunidade indígena local em que o egresso do ensino superior está inserido”, enfatiza. 

Objetivos do projeto 

Dentre os principais objetivos estão à promoção da informação profissional com os candidatos indígenas ao ensino superior, orientando-os sobre os procedimentos necessários para a realização do vestibular e ingresso na Universidade; a conscientização das lideranças das comunidades indígenas bem como os próprios estudantes sobre os benefícios recebidos por meio das bolsas, motivando-os para cuidar e garantir sua própria identidade; o aumento de alunos indígenas no ensino superior por meio da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM); acompanhamento do desenvolvimento da aprendizagem dos alunos bolsistas, identificando suas necessidades e demandas; desenvolvimento de ações de orientação psicológica e educacional com os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem; fomento de ações interdisciplinares nas comunidades indígenas, preservando sua identidade cultural.


Link deste artigo: https://www.usc.br/site/conteudo/6853-6-indigenas-estao-entre-os-1029-profissionais.html
Tags: USC, Identidade Araribá


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